Passos Coelho assume “humildemente” que não sabe como resolver os problemas do interior

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Pedro Passos Coelho afirmou que nas últimas décadas foi realizado investimento no interior do país, dotando-o de infraestruturas, mas que não impediu o êxodo demográfico. Para o ex-Primeiro-Ministro coloca-se a que a questão de saber qual “é a nova geração de políticas públicas que vai ajudar a resolver a desertificação no interior do país”

O ex-Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, participou nas V Jornadas de Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade da Beira Interior, na quarta-feira, dia 9. Na sua intervenção acabou por falar da desertificação do interior e admitiu “muito humildemente” que não sabe como resolver os problemas desta região do país.

Pedro Passos Coelho começou por contextualizar que o despovoamento do interior do país “acentuou-se na segunda metade do século XX. À medida que o país se foi desenvolvendo e modernizando, o êxodo do interior do país acentuou-se e, de tal maneira, que podemos falar de problemas sérios de sustentabilidade económica, física e demográfica destes territórios”.

No entender do ex-Primeiro-Ministro resta saber se houve uma equilibrada divisão dos recursos. “Creio que a partir dos anos 80 tornou-se mais equilibrada do que era. Não ainda tão equilibrada como desejaríamos que fosse, mas é mais equilibrada do que se possa pensar. Esta realidade teve início quando começou a haver dinheiros, altura em que entramos na União Europeia”.

Pedro Passos Coelho recorda que em 1974 conheceu um “território miserável”, e que afirma “deixou de ser miserável”. “Tinha 10 anos, quando cheguei a Vila Real e vinha supostamente de uma província ultramarina (Angola) para a metrópole desenvolvida. Aterrei no século anterior, julgo que não tinha ideia de ter visto um local tão atrasado, em sítio nenhum de Angola. Não havia qualquer infraestrutura digna desse nome – nem esgotos, água canalizada, eletricidade, as vias de comunicação eram limitadas e não havia um único Centro de Saúde”, disse.

 

Ex-Primeiro-Ministro questionou ainda “sustentabilidade” dos equipamentos construídos um pouco por todo o país

O ex-Primeiro-Ministro sublinhou que com a entrada de Portugal na União Europeia “de certo modo foi cumprido o investimento na região que se perspetiva e o interior do país está coberto de autoestradas, podendo nesta área ser comparado a qualquer país europeu. Não há praticamente distrito nenhum que não tenha uma instituição de Ensino Superior, teatro e uma rede de centros de saúde”, assinalou.

 

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Esta realidade significa para Pedro Passos Coelho que “vivemos rigorosamente de acordo com um PIB que não temos. Muitos países têm um PIB superior ao português e não têm o nível da nossa infraestrutura pública em todo o território. Ainda bem que é assim, resta-nos saber é se é sustentável, e quando os equipamentos se degradarem saber se há possibilidades de fazer a sua manutenção, conservação e substituição”.

Neste âmbito, assinala que “já há oito anos que estamos a consumir capital físico público, ou seja, o novo investimento que é realizado não dá para repor o que ficou obsoleto. Significa que lentamente a qualidade das políticas públicas vai diminuindo e as pessoas só lentamente se apercebem desses efeitos. Há aqui problemas de sustentabilidade, claramente”, afirmou.

Depois do investimento que foi realizado nas últimas décadas no interior do país e que não impediu o êxodo demográfico, para Pedro Passos Coelho coloca-se a questão de saber qual “é a nova geração de políticas públicas que vai ajudar a resolver o problema. Muito humildemente confesso que não sei. Temos que estudar melhor o assunto e os políticos existem para procurarem soluções, mas não podem ser só os políticos a estudar estes assuntos, que têm de envolver diversos agentes da sociedade civil”, concluiu.

 

**fórum Covilhã