Asas para voar

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Por: João Leitão ___________

No mês marcado pelas cores fortes da liberdade individual e coletiva, dou início à minha colaboração com o Imperativo, cujo responsável máximo me endereçou um convite, que aceitei como um repto para o exercício da minha liberdade e cidadania.

Envolto na vontade de voltarmos a ter uma verdadeira liberdade, retomo um dossier antigo, mas infelizmente atual, dada a necessidade extrema que as terras das Beiras padecem, ou seja, a criação de um aeroporto regional que promova a acessibilidade e a mobilidade destes territórios de tão baixa densidade.

Defendo, assim, a criação de um aeroporto regional na cidade da Covilhã, que sirva a região das Beiras e Serra da Estrela, a Universidade da Beira Interior e as Instituições de Ensino Superior Politécnicas da região, também elas expressões máximas da liberdade de pensamento, atuação e opinião.

A criação de uma infraestrutura aeroportuária não só irá contribuir para a redução dos custos de transporte, como também para a multiplicação dos efeitos benéficos decorrentes da internacionalização da Universidade, das Instituições Politécnicas, das Empresas, das Instituições e das Pessoas.

Esta é uma peça fundamental para atrair investimento, repovoar o interior esquecido, captar e reter capital humano qualificado, bem como transferir conhecimento e tecnologia e, deste modo, abrir uma via eficiente para as exportações das nossas produções.

Face à eventual estranheza dos mais céticos em relação ao recordatório coletivo aqui expresso, para não esquecermos a necessidade deste investimento infraestruturante, defendo que tal investimento somente deve avançar se o risco for partilhado entre a administração pública e a iniciativa privada.

Adito que este é um ativo importante para juntar aos eventuais dossiers de investimento, que devem ser preparados, em condições competitivas, quer seja pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, E. P., quer seja pela Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela, ou dos municípios integrantes da região, do Douro até ao Tejo.

A competitividade também se edifica, nomeadamente, por via das infraestruturas críticas de transporte e de conhecimento. Construir um aeroporto regional na Covilhã, significa multiplicar a capacidade exportadora da Universidade, dos Institutos Politécnicos e das principais empresas exportadoras da região, em especial, do setor têxtil e do vestuário e do agroindustrial.

Mais importante ainda, seria a porta aberta ao turismo interessado pelos territórios das Beiras e das nossas Serras, a da Estrela (gigante adormecido) e a da Gardunha (princesa em flor). Acrescem ainda os fluxos direcionáveis para as nossas Aldeias Históricas e do Xisto, elementos imateriais de inestimável valia e incomparável beleza e atratividade, em termos internacionais.

Conjugar o turismo científico, o turismo desportivo e o turismo religioso seria mais fácil com esta estrutura benéfica para uma região tradicionalmente habituada a viver para ela própria, com parcos recursos e com extremas limitações ao nível da mobilidade. De facto, as pessoas movem-se, por vezes, até definitivamente, mas custo tanto atingir o norte da Europa, a Ásia, a Oceânia, a África e as oportunidades do outro lado do Atlântico.

Precisamos mesmo de asas para voar, pois aceitar a inevitabilidade de um país inclinado para o litoral é baixar os braços e não lutar, num país governado por interesses e visões miópicas, que insistem em tratar-nos como cidadãos de segunda ou terceira categoria, não pelo que somos, mas sim pelo que valemos, em termos de peso eleitoral, e até agora, temos valido muito pouco ou nada!


 

  • * João Leitão é investigador e doutorado em Economia. Professor auxiliar com agregação da UBI. Diretor do curso de gestão executiva: Gestão de Projetos e Finanças de Empresas Familiares.