Santa Casa: sustentável mas “em risco”

Reorganização e sustentabilidade é o projecto do Provedor Neto Freire para a Santa Casa da Misericórdia da Covilhã. Uma instituição que reduziu o passivo para metade mas que tem ainda decisões dificeis pela frente.

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Neto Freire, Provedor da Santa Casa da Misericórdia (Foto: Ricardo Tavares)

Em 2013 aceitou o desafio de uma Comissão Administrativa para gerir a Santa Casa da Misericórdia da Covilhã, a necessitar de uma reorganização interna e saneamento financeiro. Neto Freire acabou por ser eleito Provedor, e passados estes anos mostra-se orgulhoso dos resultados conseguidos.

Assegura que reduziu o montante de dívida para metade, que na instituição “não há ordenados em atraso”, que se avançou com a requalificação dos colaboradores e que paga atempadamente aos fornecedores.

Neto Freire

Contudo, sente que tudo pode estar em “risco” porque é uma estrutura pesada e as crescentes imposições do Estado lhes colocam maiores responsabilidades.

Em entrevista ao semanário “fórum Covilhã”, chama a atenção para o facto de estarem a aumentar os encargos da Santa Casa. “O lado dos custos está a subir de forma muito elevada, não pela estrutura que montamos, mas por três parâmetros que estão a desequilibrar a nossa balança entre o deve e o haver: A subida do ordenado mínimo e a requalificação dos trabalhadores, que nós concordamos, mas que não foi compensada com os acordos do Estado. E também o cálculo das mensalidades das crianças nos infantários, como dos idosos no lar, seja tabelada e nesta misericórdia os valores também vão baixar. O Estado ao impor algumas regras na economia social, não teve o cuidado de acautelar as condições para que a sustentabilidade nestas instituições se mantenha.” Uma situação delicada para a qual não encontrou apoios do Poder Local.

“Até ao momento não tivemos qualquer apoio regional ou local. É um problema que tenho colocado à administração local, visto que a misericórdia também emprega muita gente.”

Ao “fórum Covilhã”, Neto Freire aborda ainda a possibilidade de fechar o infantário “Bolinha de Neve”, a eventual ampliação do Centro de Idosos, a renovação dos contratos de trabalho, as cartas de demissão de Jorge Saraiva e Hugo Brancal. Não perca a edição desta terça-feira.